Uma matéria para refletir sobre o Empreendedorismo Feminino

Tirado de TechCrunch

Com o nascimento da nova narrativa feminista varrendo a cultura popular, ela é obrigada a entrar em sua fase adolescente. E, assim como uma menina adolescente em geral, o novo feminismo está crescendo de forma desordenada. Mas antes de chegar em um patamar mais sério e com argumentos que todas nós concordemos, eu espero que não nos matemos antes do processo finalizar. 

Algumas semanas atrás, no TechCrunch Disrupt Hackathon, em Nova York , observei centenas de homens no Centro de Manhattan determinados a desenvolver um aplicativo que iria chamar a atenção de vários parceiros que concedem prêmios. Entre eles estavam um punhado de mulheres que foram certamente acompanhando o seu próprio parceiro/colega e desbravando o ambiente cheio de testosterona do evento.

Uma dessas mulheres chefiou uma equipe que construiu um aplicativo para ajudar as mulheres a organizar viagens para o salão de beleza. Foi chamado “Indulge” e enquanto a co-fundadora, Velina Ivanova, estava falando sobre ele no palco, eu não pude deixar de ficar animada com o conceito.

Por sugestão dos editores que estavam nos bastidores comigo, eu escrevi sobre o projeto. ” Se você gosta dele, escreva sobre isso, Leslie ! ” Todos encorajaram. Então eu escrevi. Primeira regra dos blogs é a de nunca ler os comentários. O rancor que o post do meu blog falando sobre o aplicativo gerou foi desanimador. O que foi mais perturbador sobre os comentários era que as mulheres estavam atacando Velina simplesmente pela idéia do “Indulge”.

Alguns dos comentários abaixo:

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Sarah Gaines: Jesus…é isso que as mulheres de tecnologia fazem?

Christina Ramey: Sim, cada uma de nós. Somos todos as mesmas pessoas, temos nossas peculiaridades, personalidades, preferências, habilidades ou uso dessas habilidades. É exatamente como os homens, que só fazem aplicativos de Strip Poker e nada mais.

Marissa Berlin: Você sabe, elas resolvem problemas e necessidades locais por agrupamento demográfico e de interesse que pode ou não pode incluir pessoas específicas? Sim. Isso é, de fato, o que elas fazem.

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Uau. Nada do que eu amo mais do que largas generalizações. Mas, deixando isso de lado, me chateou mais porque Velina é incrivelmente brilhante, articulada, muito educada, uma jovem promissora que veio com seu co-fundador (masculino) para o Hackathon e concorreu com 650 outros desenvolvedores para construir algo que acabou ganhando o segundo lugar de nossos juízes TechCrunch.

O problema, obviamente, estende-se ainda mais do que a nossa Hackathon. Aqui está o problema. Ultimamente na imprensa eu tenho visto uma série de segundas opiniões sobre o assunto. Na revista Vogue (a única com Kim Kardashian na capa), vários artigos são focados em mulheres de alto escalão, sem dúvida bem sucedidas no mundo dos negócios. Porém, cada uma dessas mulheres expressou alguma preocupação de não ser levada a sério por causa do seu interesse individual em moda e estilo. “…se você falar sobre moda na sala de reunião, você assume um estigma.

É uma forma traiçoeira de desprezo.” disse Audrey Gelman na edição da revista. Eu fico frustrada porque com os homens não acontece a mesma coisa, o estigma não existe se eles estão comentando sobre esportes ou qualquer outro assunto masculino no ambiente de trabalho, mas as mulheres hesitam em se expressar plenamente neste caminho para não corroer a sua imagem.

Considere o perfil da Vogue com Marissa Mayer, CEO do Yahoo, que atraiu uma série de críticas. No palco do Disrupt do ano passado, Michael Arrington (Editor do TechCrunch), brincando, perguntou-lhe se podia autografar seu exemplar da revista. A CEO do Yahoo nunca se esquivou de seu interesse em moda, mas esse lado de Marissa não é suportado da mesma forma que a paixão de Larry Ellison (Co-fundador da Oracle) por corridas de barco.

Este duplo padrão é o que Velina, o “Indulge”, e posteriormente, eu, fomos submetidas quando minha matéria foi publicada no TechCrunch. Como uma mulher que tem uma carreira de sucesso no mundo dos negócios e planeja continuar em uma trajetória ascendente, também gosto de minha manicure duas vezes por mês e fico animada com a cor do esmalte que eu escolho. Isso é totalmente saudável e um comportamento normal, por sinal.

Eu também gosto de assistir basquete universitário, praticar yoga, comprar calçados de salto e viajar. Todas essas atividades fazem de mim uma pessoa cheia de interesses diversos, e certamente não alguém que seria menos capaz de liderar uma empresa. Eu não sou uma pessoa enquadrada em um interesse só e nem são as mulheres que foram destaque na Vogue. Comecei a me sentir mal sobre o apoio ao “Indulge” por causa dos comentários no meu post, e isso é inaceitável.

Minha reação inicial – excitação sobre o aplicativo, vendo como um útil caso de uso real, e , em seguida, expressando a ideia, para o público TechCrunch – é o que realmente importa, e eu tenho orgulho de ter feito isso.

Sheryl Sandberg levanta uma questão importante sobre as mulheres que necessitam para apoiar umas as outras. A síndrome da abelha rainha não faz nada, além de nos fragmentar. Até chegarmos a um lugar onde estamos verdadeiramente iguais, não podemos nos insultar assim como nesse projeto de uma Hackathon. Ninguém vira o olho quando um homem cria um aplicativo relacionado a esportes em uma Hackathon. Eu quero mais de nós e menos garotas atacando mulheres que estão construindo coisas novas.